”Entre as águas, nasce a taboa. Das mãos, nasce a arte. Da tradição, floresce o futuro.”
ARTESANATO SUSTENTÁVEL COM FIBRA DE TABOA
Nas margens dos alagados de Ribeirão Pires, onde a natureza oferece a taboa em abundância, nasce uma matéria-prima que, pelas mãos de artistas e artesãos, transforma-se em arte, identidade e memória. Renovando Tradições – Artesanato Sustentável com Fibra de Taboa é um projeto de formação artística e valorização dos saberes tradicionais que une cultura, sustentabilidade e economia criativa. A partir da colheita consciente da fibra de taboa (Typha spp.), os participantes vivenciaram um processo coletivo de aprendizado, pesquisa e experimentação, desenvolvendo técnicas artesanais, linguagem artística e design contemporâneo.
Cada peça apresentada nesta exposição representa muito mais que um objeto artesanal. Ela revela o diálogo entre o ser humano e a natureza, preserva conhecimentos transmitidos entre gerações e reafirma que o fazer manual é patrimônio cultural, fonte de trabalho, renda e pertencimento. As fotografias e obras expostas convidam o visitante a percorrer todas as etapas desse processo: da paisagem onde nasce a taboa ao gesto criativo que lhe dá nova forma e significado. Que esta mostra inspire novos olhares para a riqueza do nosso território, para a força do trabalho coletivo e para a arte como instrumento de transformação social, cultural e ambiental.
A colheita exige trabalho em equipe, todos num só movimento, com respeito e responsabilidade. Agradecemos todos os parceiros:
sem a parceria com as pessoas e os equipamentos públicos não teria sido possível.
Agradecimento especial: Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo, Secretaria de Cultura, Secretaria de Educação, Secretaria de Clima, Meio Ambiente e Habitação, Secretaria de Turismo, Fundo Social de Solidariedade, e a todas as pessoas que se dedicaram ao projeto.
Nascimento da forma
Colher é gesto sagrado,
Que não se faz ao acaso.
É preciso respeitar
O ritmo da vida,
Água, terra e ar.
O gesto firme da ceifadeira,
Expressa amor à sua maneira,
Corta a fibra com destreza,
Transforma em arte e beleza.
Taboa, Typha domingensis,
Nossa Deusa guardiã,
Purifica a água da represa,
Fornece a matéria-prima.
Antigo ofício remodelado,
Tecido com sabedoria,
Passado e presente entrelaçados,
Futuro da economia criativa.
A taboa usada em nosso projeto é retirada dos alagados do Parque Oriental,
sempre com prévia autorização da Secretaria do Meio Ambiente.
Só podem ser colhidas as plantas adultas que ainda não deram o pendão — são elas que têm o comprimento adequado para o trançado artesanal.
As taboas novas permanecem no brejo até atingirem a fase adulta, garantindo a continuidade do ciclo.
Já as taboas com pendão não são utilizadas: estão na fase de reprodução, com fibras duras e secas, impróprias para o trabalho manual. O pendão maduro libera sementes que repovoam naturalmente os alagados, por isso
não devem ser retiradas.
A taboa (Typha domingensis) é uma planta hidrófita (aquática) típica de brejos, manguezais, suas espigas são da cor café contendo milhões de sementes que se espalham pelo vento. Em nossa região ela brota com facilidade nos alagados da represa Billings.
Depois de colhidas, as taboas são colocadas em pé dentro de um balde com uma solução de ácidobórico. Elas ficam ali por cerca de 3 horas, como se estivessem
tomando um banho especial de proteção.
Durante esse tempo, o líquido entra pelos canais da planta e substitui parte da seiva. Esse processo
funciona como um remédio: protege a fibra contra fungos e insetos que poderiam estragar o material depois de seco.
Assim, quando saem do balde e vão para a secagem, as taboas estão fortes, limpas e prontas para se transformar em arte.
Mãos que trabalham, e juntas fazem florescer o artesanato, a arte do inusitado.
Mãos que unidas se conectam à matéria-prima, palha dourada, que umedecida se inclina aos diferentes trançados.
O acochadinho, firme e apertado, No sextavado, clássico e consagrado,
O quadriculado, simples e ordenado, Enfim o Chevron, vivo e desenhado.
Mãos e tramas, começo e fim, cada cruzamento anuncia o que há de vir.
Do gesto nasce o sentido, o objeto tecido.
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